Compreenda como administrar e gerenciar crises

jun 19, 2012 por Editora Évora | Gestão & Negócios

Confesso que, na infância, muito me intrigava a conhecida frase “Navegar é preciso, viver não é preciso”, algo perfeitamente aceitável, convenhamos, em se tratando de alguém com vivência então suficiente para entender, quando muito, o teor literal das coisas.

Anos depois, já no mundo corporativo, ficaria fácil perceber que ambos os significados do verbo precisar (exato e necessário) podem – e devem – ser considerados em plenitude quando o assunto em pauta é a boa gestão. O que ainda se vê, no entanto, é um número espantoso de empresas onde nenhum dos sentidos habilmente manejados por Fernando Pessoa é tratado com a devida atenção, dando lugar – isso, sim – à perigosa mistura entre falta de planejamento e ausência absoluta de ferramentas adequadas para o estabelecimento de controles.

xadrez

Como resultado, tal conduta tem sido pródiga em gerar sobressaltos a cada balanço, deixando frequentemente à deriva não só os gestores dessas estruturas, como também as equipes, os fornecedores, os clientes e tantos mais que dependam, diretamente ou não, de sua capacidade de produzir e gerar riquezas.

Mesmo não sendo um primor na forma de fazer negócios, a organização que ao menos se dê ao trabalho de controlar seriamente os resultados obtidos tem a total condição de agir a tempo, quando a luz amarela acende, ao indicar prejuízo na operação cotidiana ou o acúmulo de ativos onerosos e desnecessários, por exemplo. Diante desses sinais inquietantes, percebidos e analisados a tempo, quase sempre é possível rever processos e estratégias antes que situações extremas se instalem, um quadro com o qual tenho me deparado frequentemente, ao atuar na recuperação de empresas dos mais diversos portes e naturezas.

Na maioria esmagadora dos fracassos iminentes, investir em recursos humanos e sistemas é tido como um ônus, o famoso mal necessário, para no máximo garantir o cumprimento de obrigações trabalhistas e fiscais, porém sem levar em conta o aproveitamento do que se investe nessas áreas para melhorar desempenhos, além de perpetuar nomes e marcas.

Em circunstâncias assim, em vez do brilhantismo característico da boa poesia, o que prevalece é uma cultura equivocada, menosprezando não apenas os números, mas também outros valores indispensáveis à verdadeira grandeza empresarial. Assim, mesmo com todas as cautelas e cuidados, mesmo com planejamento, uma empresa poder ficar à deriva ou até mesmo sucumbir por fatores conjunturais. O que dizer da sua perpetuidade, sem planejamento ou administração?

A adoção de ferramentas gerenciais de acompanhamento das operações é a única maneira de tornar objetiva a análise da situação da empresa, esteja ela em crise ou não. É com elas que se detectarão os pontos positivos e negativos da companhia, identificando o que e como deve ser mudado. Sem essa metodologia, imperativa nesses casos, o sucesso no diagnóstico dos vários aspectos do problema é praticamente impossível.

Ao ignorar sua própria condição e continuar preso a conceitos antigos e à sensação de onipotência, que muitas vezes tomam conta de quem começou um empreendimento e teve sucesso ao superar fortes turbulências, o empresário que insiste na condição de aventureiro dificilmente deixará de ser o protagonista de verdadeiras tragédias, mesmo que, do lado de fora, o espetáculo em cartaz seja o do crescimento.

capa do livro "Quem matar na hora da crise?"
INDICAÇÃO DE LEITURA

Caso você deseje se aprofundar mais sobre gestão de crise, leia Quem Matar na Hora da Crise? e compreenda como prevenir e sair de crises corporativas, que ameaçam sua empresa.

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