A constante sinuosidade da carreira feminina
Compactando reflexões – e não conclusões – trazidas pela experiência desenvolvendo carreiras femininas e masculinas, Fernanda e Stella Angerami observaram que a carreira feminina enfrenta sinuosidades, enquanto a masculina segue uma linha reta. Ou seja, a maioria dos homens traça uma meta e segue naquela direção, o que não significa que não enfrentem desafios no percurso. Porém, estes não são em forma de curvas que exijam diminuição de velocidade e nem mesmo interrupções para dar carona a alguma mudança de vida, como ocorre com a maioria das mulheres.

No caso do homem, a partir do momento em que estabelece o objetivo de ganhar dinheiro, ascender profissionalmente e conquistar status, ele “liga o carro e segue em frente”, pois está certo de que isso garantirá sua felicidade e a de sua família. No caso da mulher, pelo menos até hoje, e em nosso país, traça uma meta, mas adia avanços, se necessário. Isso quando não muda de direção porque vai ter um filho; ou abre mão de uma boa oportunidade que afetará muito a vida familiar – por exemplo, as crianças precisariam mudar de escola ou o marido pedir transferência.
Por que isso acontece? Porque, além das condições próprias de sua natureza biológica, como a procriação e o ciclo menstrual, os estereótipos socioculturais ainda estão presentes.
Uma pesquisa recente em um meio de grande influência como o cinema é reveladora nesse sentido. Elaborado por especialistas da Universidade do Sul da Califórnia em 2008, o estudo mostrou que as personagens femininas tendem a aparecer nos filmes de Hollywood com pouca roupa, enquanto os homens tendem a receber papéis com mais diálogo. Ou seja, elas estão ali para serem mais vistas, eles, escutados.
A base desse estudo não é nada desprezível – 4.370 trechos de 100 filmes lançados em 2008, como os recordistas de bilheteria também entre os jovens, Batman, o cavaleiro das trevas, O Homem de Ferro e Crepúsculo. Desta, 67% dos papéis com fala pertenciam a atores masculinos e menos da metade, 33%, às atrizes.
Por outro lado, temos visto um pequeno movimento no sentido contrário. É o caso do filme inglês Revolução em Dagenham (2010), do diretor Nigel Cole, que mostra com leveza e graça o movimento de paralisação de 187 costureiras em uma unidade da fábrica da Ford no Reino Unido. O movimento reivindicava melhores condições de trabalhado e igualdade salarial com os trabalhadores homens. A iniciativa acabou se espalhando por outras cidades inglesas e culminou com a aprovação, em 1970, do Equal Pay Act, que proibiu a discriminação nas condições e nos salários entre homens e mulheres. Recomendamos que assistam a este filme!

INDICAÇÃO DE LEITURA
As mulheres sempre serão muito mais influenciadas por fatores externos na hora de cuidar da carreira. Mas não é difícil equilibrar vida pessoal e profissional. O livro Bem-me-quer, Malmequer pode ser de grande ajuda para quem se sente confusa no momento.

