As empresas procuram novos gestores de mídias sociais

mai 28, 2012 por Editora Évora | Marketing & Comunicação

As mídias sociais estão virando assunto de gente grande. Quando as plataformas on-line ganharam espaço, as empresas correram para contratar jovens executivos, familiarizados com as novas tecnologias, e marcar território no mundo virtual. Agora, as diretorias perceberam que a área conquistou contornos estratégicos e precisa de gestores mais maduros e experientes, aptos a zelar pela imagem da marca diante de consumidores e clientes.

 profissionais olhando para a tela de um computador

A chamada seniorização dos gestores de mídias sociais acontece em setores com forte presença na internet e as agências digitais – contratadas por grandes clientes para cuidar dos ambientes virtuais – também garimpam esse novo profissional. Para especialistas, os currículos mais atraentes estão nas áreas de marketing, comunicação e publicidade, com características de liderança, experiência em cargo similar acima de dois anos e focados em resultados. Além disso, é preciso ter conhecer bem os produtos da marca e o mercado no qual ela está inserida.

Para César Paz, presidente da Associação Brasileira das Agências Digitais (Abradi), que reúne 350 empresas, a nova cara do gestor de mídias sociais faz parte da evolução do mercado. Segundo ele, a mudança é puxada pela importância que o mundo on-line representa hoje para as grandes marcas. “Empresas das indústrias de automóveis, material esportivo, moda e do setor financeiro estão na vanguarda das novas contratações”, explica.

De acordo com Paz, o executivo mais experiente é capaz de entender o valor das redes, organizar melhor a presença do cliente na web, além de criar indicadores de performance. Aos 32 anos, o jornalista Renato Mendes já havia acumulado know-how suficiente para assumir a gerência de comunicação corporativa do site de e-commerce Netshoes que, em 2011, iniciou operações na Argentina e México. Contratado no ano passado, Mendes foi diretor da unidade de mídias digitais e redes sociais do grupo Máquina PR, de relações públicas. “Com um trabalho criativo, podemos aproveitar o ambiente colaborativo para criar vínculos duradouros com os clientes”, diz. Um de seus primeiros projetos foi medir, em tempo real, a satisfação dos consumidores em lançamentos de produtos e serviços. “Essa proximidade se traduz em ganho de receita. O usuário passa mais tempo no site da marca e também compra mais”, afirma.

Por um tempo, de acordo com Mendes, acreditou-se que a área deveria ser coordenada por executivos da geração Y, definição dada aos nascidos a partir de 1978. A justificativa era uma suposta experiência desse público como usuário permanente dos ambientes virtuais. “Hoje, está claro que o segmento é estratégico para as companhias e deve ser gerido por profissionais mais experientes”, explica. A dificuldade é que as redes sociais são relativamente novas e não há muita gente qualificada no mercado. “Mas os talentos que atuam em nichos relacionados à comunicação podem se adaptar ao trabalho.”

equipe de trabalho
Para Andreza Santana, gerente de marketing sênior do site Monster Brasil, da área de recrutamento e gerenciamento de carreiras on-line, as empresas querem profissionais que compreendam a visão estratégica da organização. “Quem apostou no amadorismo está pagando caro. Qualquer erro, como uma mensagem mal interpretada, pode causar prejuízos à marca”, diz. Para ela, maturidade profissional independe do ano de nascimento. “É preciso ter comprometimento com a organização, jogo de cintura e vivência em situações de crise”. No Monster, os executivos que fazem a coordenação dos projetos nas redes digitais têm entre 25 e 45 anos de idade.

Envolvido profissionalmente com internet desde 2005, Celso Fortes, 41 anos, é diretor de criação da agência Novos Elementos, no Rio de Janeiro, de gestão de conteúdo digital. Ex-executivo da gravadora Universal, também edita sites sobre serviços da cidade e mantém um blog com mais de oito mil seguidores. “A diferença entre um gestor experiente e um jovem é o foco”, afirma. “Sabemos traçar um plano de ação, com metas bem definidas. Já os mais novos costumam estar sempre à procura de melhores ferramentas de interatividade.”

Na Cypress, assessoria financeira com atuação em fusões e aquisições, a área de mídias sociais foi criada no ano passado. Tem cinco funcionários, com uma média de idade de 35 anos. “Para promover a aproximação do público a temas ligados ao nosso negócio, buscamos pessoas que sabiam transitar na internet, mas que entendessem peculiaridades do setor financeiro”, diz o diretor-presidente Luiz Felipe Alves. Além de um perfil especializado, Alves exigiu mais iniciativa da nova equipe. “O responsável deve conduzir uma imersão da organização nas plataformas sociais”. Desse modo, o executivo selecionou candidatos que já haviam trabalhado com clientes do mercado financeiro e que circulavam bem entre corporações de grande porte.

Para Carlos Vidigal, CEO da Cíclope Treinamentos e Consultoria, o ideal é que o gestor consiga analisar as demandas das mídias sociais para trazer informações que se transformem em oportunidades de negócio e aumento da receita. “É preciso ter habilidade analítica e saber como as novidades on-line podem melhorar o relacionamento da organização com o cliente.”

O especialista acredita que os profissionais da geração X, nascidos nas décadas de 1960 e 1970, têm uma relação de curiosidade e empatia com as redes sociais. “Isso pode render melhores análises no ambiente de trabalho e mais poder de tomar decisões racionais.” Já os candidatos nascidos nos anos 1980 e 1990 mantêm uma relação de “necessidade” com as mídias on-line, com atitudes pautadas na intuição.

 mulher de negócios

Outra vantagem apontada por Vidigal nos currículos mais extensos são as habilidades de liderança já desenvolvidas, com reflexos positivos no andamento de tarefas e na redução de custos de capacitação para o empregador. É caso de Aleksey Stivanin, de 39 anos, diretor comercial da Predicta Digital, empresa de consultoria em comunicação e inteligência na internet, ligada ao Grupo RBS. Formado em administração e com MBA em marketing, o executivo foi contratado em março, depois de apresentar alguns projetos para a direção. Com mais de 20 anos de experiência em vendas, passou por Credicard, P&G e Terra Networks, onde participou da criação e desenvolvimento da publicidade virtual da companhia.

“A maioria dos clientes fala de monitoramento on-line, para captar o que estão comentando sobre seus produtos”, diz. “Mas as novas exigências são para gerar ideias e mudanças concretas, a partir de informações coletadas na web”. Para Stivanin, executivos com mais quilometragem no mercado são capazes de indicar a melhor forma de explorar as redes sociais, de acordo com a atividade das organizações. “É um trabalho sem modismos e com foco na melhoria da eficiência dos investimentos”, afirma. “Para um profissional nesse estágio de carreira, espera-se que ele seja capaz de apontar novos rumos para o negócio, principalmente em mercados dinâmicos como comunicação e tecnologia.”

De acordo com Patricia Toddai, da ToddaiCOM, especializada em comunicação empresarial e gestão de conteúdos, é possível unir executivos experientes e jovens talentos em um projeto. “A diferença está na resposta às estratégias. Os mais novos ganham na agilidade, mas os maduros têm vivência e cautela, características necessárias ao setor.”

Texto: Jacilio Saraiva (Valor Econômico)

capa do livro "Mídias Sociais nas Empresas"
INDICAÇÃO DE LEITURA

O tempo passa e as necessidades das empresas mudam. Um cargo que antes era ocupado por jovens profissionais que têm familiaridade com o ambiente online está mudando de perfil. O sêniores passam a ser necessário uma vez que as corporações já possuem conhecimento básico na rede e deseja melhorar suas estratégias. Descubra mais com o livro Mídias Sociais nas Empresas.

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