Os fundos soberanos de riqueza explicam crise atual

abr 03, 2012 por Editora Évora | Finanças & Investimentos

A crise financeira que teve início em 2007 causou um impacto misto sobre os fundos soberanos de riqueza. Os valores desses fundos caíram quando os valores dos ativos em geral caíram – a partir de, talvez, 35 trilhões para 2 trilhões e pouco. Mas a proporção da riqueza global mantida em fundos soberanos de riqueza não caiu. E o enorme montante acumulado de títulos do Tesouro americano não caiu, mas em vez disso seu valor aumentou.

Quando os fundos são transferidos – como serão – em classes de ativos de rendimento superior menos vulneráveis à depreciação do dólar e da inflação interna americana, os fundos comprarão mais, e não menos bens econômicos reais. Além disso, a participação no capital total por parte dos governos tem sido ainda inflada pela crise financeira e pela profunda recessão que a acompanhou, quando uma terceira categoria de fundos públicos foi acrescentada ao conjunto.

A primeira onda de fundos soberanos de riqueza foi a receita do petróleo acumulada de países da Noruega à Arábia Saudita. A segunda onda foram as reservas cambiais acumuladas de potências asiáticas de industrialização rápida que pensaram que subestimar os valores de sua moeda pela manipulação da taxa de câmbio seria o caminho mais rápido para as transformações estruturais. A terceira onda está sendo desencadeada pela crise financeira. É uma onda do “socialismo limão”: em consequência da crise, governos ao redor do mundo estão fazendo enormes investimentos e assumindo cargos em empresas financeiras e operadoras.

Esses investimentos e cargos não serão facilmente deslindados. E até que sejam deslindados, todas as questões envolvendo as duas primeiras ondas dos fundos soberanos de riqueza envolvem também essa onda – e, quando a poeira baixar, é provável que essa onda seja muito grande. Os propulsores da importância crescente dos fundos soberanos de riqueza são agora quatro, e nenhum deles corre risco em função da recessão atual:

  1. A necessidade, à medida que os investimentos governamentais aumentam cada vez mais, de taxas mais altas de retorno sobre eles e um seguro contra a desvalorização da moeda e a inflação.
  2. Desequilíbrios mundiais que são inevitáveis quando os países industrializados procuram se apoderar dos mercados de exportação e reduzem a pressão sobre os valores da sua moeda com essa finalidade.
  3. Petróleo acumulado.
  4. Fundos de pensão e correlatos geridos pelos governos e as empresas financeiras e industriais controladas pelo governo.

INDICAÇÃO DE LEITURA
Para compreender mais sobre a atual situação da economia mundial e descobrir como os Estados Unidos estão perdendo o poder, leia O Fim da Influência.

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