Compreenda o poder do novo social learning
Para entender o social learning, é preciso compreender antes o que é mídia social – um conjunto de tecnologias com base na internet, criadas para ser usadas por três ou mais pessoas. Mas isto é mais incomum do que parece. A maior parte das interações feitas por meio de tecnologia é limitada a uma transmissão um a um, geralmente uma chamada telefônica ou um e-mail; ou de nicho, quando alguém se comunica com um pequeno grupo, como quando usa listas de distribuição de e-mails ou newsletters de pequena circulação; ou ainda de grande difusão (de um para muitos), como em revistas online de grande alcance ou programas de rádio.

O social learning é exatamente o que parece: aprender dos outros e com os outros. Existe há um bom tempo e se dá naturalmente em conferências, grupos e entre velhos amigos num café, tão facilmente como ocorre nos exercícios em sala de aula ou entre colegas online que jamais se encontraram pessoalmente. Passamos pela experiência ao ir até a sala fazer uma pergunta e quando postamos a mesma questão no Twitter, já sabendo que alguém nos dará uma resposta.
Uma vez que a mídia social é a tecnologia usada para engajar três ou mais pessoas, e o social learning é o ato de aprender com o outro, a novidade está na força com que esses dois elementos trabalham juntos. Ferramentas sociais deixam uma trilha digital, documentando nossa jornada de aprendizagem – quase sempre uma história de revelação – indicando um caminho para que outros o sigam.
As ferramentas agora estão disponíveis para facilitar o social learning, que não é mais limitado por diferenças geográficas (fronteiras espaciais) ou de fuso horário (fronteiras de tempo) entre os integrantes de uma equipe. O novo social learning reforma a mídia social que, de uma estratégia de marketing, passa a ser uma estratégia maior que encoraja a transferência de conhecimento e conecta pessoas de maneira compatível com a nossa interação natural. Não é um sistema de transferência análogo ao treinamento em sala de aula, ao treinamento remoto ou ao e-learning. Em vez disso, é uma abordagem poderosa de compartilhamento e descoberta de um vasto conjunto de informações – algumas delas, às vezes, nem sabemos que precisamos. Tudo levando a uma tomada de decisão mais bem informada e a uma compreensão mais íntima, expansiva e dinâmica da cultura e do contexto em que trabalhamos.
O novo social learning oferece a pessoas de todos os níveis, de cada parte da organização e de qualquer canto do globo, uma maneira de recuperar sua capacidade natural de aprender continuamente. O social learning pode ensinar o piloto a voar de forma mais segura, a vendedora a ser mais persuasiva e o médico a se manter atualizado.
Durante bastante tempo, muitos de nós sabíamos que a aprendizagem pode transformar o ambiente de trabalho. Desejávamos ferramentas que pudessem explorar esse potencial. Mas só recentemente as mudanças na cultura corporativa e a tecnologia possibilitaram essa realidade. Clay Shirky, que escreve sobre economia na web, ensina novas mídias na Universidade de Nova York e é autor de Cognitive Surplus, afirma: “Antes da internet, a última tecnologia que teve algum efeito real sobre a maneira como as pessoas se sentam para conversar foi a mesa”.
Em seu nível mais básico, o novo social learning pode resultar em pessoas mais bem informadas, com uma perspectiva mais ampla e capazes de tomar decisões melhores por conta de seu engajamento com os outros. Isso porque essa aprendizagem ocorre com e por meio de outras pessoas e pelo fato de se participar de uma comunidade; não apenas pela aquisição de conhecimento. O social learning se dá com o uso de mídias sociais, pela expansão do acesso e
pelos contatos com todas as nossas conexões – em nossos ambientes de trabalho, nas nossas comunidades e online. E acontece quando mantemos o debate fluindo em um blog rico de comentários, ou no coaching e no trabalho do seu mentor, ou mesmo durante a malhação na academia.

O social learning é alavancado por ferramentas comerciais como Facebook, Twitter, YouTube, blogs e wikis, programas corporativos e conjuntos de aplicações, como Socialtext, Socialcast, Newsgator e Lotus Connections. Com algum desenvolvimento customizado, a aprendizagem também pode se expandir em plataformas sociais corporativas, como a IBM WebSphere Portal Server, Microsoft SharePoint, SAP Netweaver Portal and Collaboration e a Beehive, da Oracle.
Não conclua que tudo isso é novidade. Os softwares sociais têm estado por aí há quase 50 anos, desde o sistema Plato. Redes como a Compuserve, a Usenet, painéis de discussão e The Well já existiam antes mesmo do nascimento do fundador do Facebook. Mas, por causa das conexões desajeitadas, que dificultavam a leitura e a socialização das melhores ideias, somente os entusiastas da tecnologia usavam esses sistemas.
O novo social learning tornou-se fácil, com foco social e comercialmente viável com as ferramentas da web 2.0 e o software Enterprise 2.0, que aproximaram os serviços, recursos, conhecimentos e orientações de pessoas procurando respostas, solucionando problemas, superando dificuldades e aprimorando a forma de trabalhar. Elas facilitam a colaboração e apontam escolhas num amplo leque, levando a aprendizagem a uma vasta quantidade de pessoas intelectualmente diversificadas.
Essas novas ferramentas sociais ampliam o treinamento, a gestão do conhecimento e as práticas de comunicação utilizadas atualmente. Elas podem introduzir novas variáveis capazes de mudar fundamentalmente a aprendizagem: aumentam a velocidade de acesso, abrem um canal para o compartilhamento espontâneo, tanto de recursos desenvolvidos quanto de documentos sofisticados, e penetram em departamentos que nunca antes foram responsáveis pelo desenvolvimento dos colaboradores.
As ferramentas sociais são poderosos blocos de construção que podem transformar a maneira como oferecemos aprendizagem e desenvolvimento nas empresas. Elas trazem uma nova cultura de colaboração em que o conteúdo é produzido e distribuído com poucas restrições e custos. Boa parte do que aprendemos no trabalho e em todo lugar provém de nosso engajamento em redes de relacionamento, nas quais as pessoas criam juntas, colaboram e compartilham conhecimento, participando ativamente e orientando sua aprendizagem para os tópicos que as auxiliam a melhorar.
O treinamento muitas vezes oferece soluções para problemas que já foram solucionados. A colaboração aborda desafios que ninguém resolveu antes. O novo social learning torna tudo isso instantâneo, capacitando as pessoas para interagir facilmente com aquelas que dividem um ambiente de trabalho, uma paixão, uma curiosidade, uma habilidade ou uma necessidade. O novo social learning permite “ser maior do que meu cérebro”, explica Stowe Boyd, que criou o termo ferramentas sociais e tem trabalhado na área há duas décadas, observando seus efeitos sobre os negócios, a mídia e a sociedade. “Quero criar um espaço de ideias em que eu possa pensar fora da minha própria mente, aumentando minha conexão com os outros.”
INDICAÇÃO DE LEITURA
O Novo Social Learning é para as pessoas que estão particularmente interessadas em como a mídia social pode ajudar as pessoas nas organizações a aprender mais rapidamente, inovar mais depressa, compartilhar conhecimento e interagir com colegas, parceiros de negócios e clientes.


